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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A vassoura bailarina



A vassoura era vaidosa e gostava de tudo muito limpo. Acordava com o nascer do sol e, cantarolando, valsava pela cozinha varrendo as migalhas de pão que se alojavam entre as tábuas do assoalho. Faceira, arrastava seus tufos de palha surpreendendo os quatro cantos da cozinha. Feito mágica, a vassoura feiticeira, arrumadeira, lampeira, bailava pelo chão em estado de graça. Enquanto isso, encostado preguiçosamente atrás da porta, o escovão espiava a vassoura bailarina. Sonolento ainda, relutava em despertar. O sol que entrava pela janela da cozinha o deixava ainda mais mal humorado, pois insistia em lembrá-lo de que logo seria a sua vez de trabalhar. Ele teria de ir e vir, ir e vir, ir e vir muitas vezes para que o assoalho pudesse então ter seu momento de brilho.
“Vamos escovão, acorde! É a sua vez de dançar!” E o escovão bocejando respondeu: “Hoje não, talvez outro dia. Ainda não aprendi a valsar.” E voltou a roncar.
Por Angela Lacerda

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